terça-feira, 7 de março de 2006

Divagações sobre Arquitetura e Urbanismo I

Durante o séc. XX nasceu e definhou a visão sobre Arquitetura e Urbanismo fabulosamente Ousada, Radical e Utópica. Uma ideologia marcada pela negação do seu próprio passado, para a adoção de um ideário novo; uma nova linguagem, uma nova leitura, representativa da era da máquina, evoluída, eficiente e moderna.
A Ousadia consistia numa resposta a qualquer solicitação, tudo podia ser mudado, transformado, se adequando assim qualquer projeto a qualquer canto do mundo. Representada assim, por uma tecnologia mantida por somas cada vez maiores de matérias primas e energias não sustentáveis.
O Radicalismo desse ponto de vista estava na busca arquétipa do morar, transitar, exercitar, viver em conjunto com a sociedade e ainda ter privacidade. Não contando com as diferenças culturais, sociais, econômicas, um mundo pós-capitalista, pós-armamentista, pós-republicano, Super-equipado e auto-energético.
A Utopia era crer que em uma, duas, três gerações tudo estaria mudado. Velhos tecidos urbanos, velhas marcas da (in)(e)volução do homem deveriam ser arrasadas, ou tratadas como acervo ao céu aberto, exibindo formas criadas por mentalidades ultrapassadas e decadentes que deveriam ser extipardas da nova cidade.
Durante o séc. XX; Guerras, Epidemias, viagens espaciais, desastres sociais, bomba h laser, computador, internet... A genialidade humana nunca avançou tanto, como nunca antes em cem anos o ser humano se tornou um hiper-evoluido. Capaz de em milésimos de segundo viajar pelo globo através de cabos ou por ondas magnéticas, em tempo real temos guerras distantes, pessoas morrendo de fome e de doenças, desgraças naturais e informações sobre cultura e incultura de todos os lados.a hiper-informação, produziu o hiper-cinismo, uma hi(per)pocrisia, a desumanidade em tempo real.
Diferentemente dos arquitetos e urbanistas do séc.XX, idealizadores de novos mundos, que apenas conheciam o que os cercavam ou pelos livros ou por visitas in loco, os arquitetos e urbanistas do séc. XXI, da Arquitetura e Urbanismo da era Hiper-tecnológica, conhecem o mundo, o sítio via satélite, o lugar por “panorâmicas”, os clientes, grupos por emals, as culturas pelo google e orkut...
O desafio tecnológico está em responder, em romper a barreira, a parede de informações que não permite o contato com a realidade; geo-sócio-econômico-cultural que é o urbanismo, um complexo abstrato que concretamente se espalha no território, uma incógnita-poliforme- aleatória- pulsante de crescimento espaço-temporal. Cons
tituída de grupos, unidades e células mínimas culturais-espacias.Um organismo vivo! Saudável se bem cuidado, perigoso e fatal quando é abandonado!Disposto por forças abstratas, etéreas e voláteis, representadas por grupos minúsculos de indivíduo-vírus detentores do dinheiro e do poder.
Na era Hiper-tecnológica as ferramentas do planejamento estão no universo virtual; a ideologia moderna do arrasa quarteirão, deve ser aplicada no instrumental planejador, o modelo que se aplica é equivocado, unilateral, pseudo-tecnocrata, um ideograma de algo mais complexo, variável, multifocal. Ações, Racionalização, Eficiência, Qualidade, Resultados, velhas máximas inexoráveis.
A Ousadia está em subverter a mentalidade: retrógrada, imediatista, superficial e ignorante dos administradores “públicos”. O Despreparo do entender a população, a questão urbana, a questão humana, Estimular o despertar do conhecimento esquecido, o resgate da tradição da tomada do espaço urbano-humano, com seus símbolos, signos e significados de transformar o ordinário em algo mágico, mesmo sendo efêmero e ou casual.
O Radicalismo é de acabar com a arrogância intelectual do “sei”, pelo-Não sei... No descobrimento do mundo do olhar infantil, curioso e transformador.De descobrir o novo, de entender o velho, de respeita-lo ou não, de não ter medo de tentar, e buscar o olhar de outra forma aquilo que sempre foi, ouvir aqueles que nunca dizem,observar os caminhos de agora com os olhos de ontem e com os olhos do amanhã. Ser radical é arrasar o novo que substancialmente não inova, apenas deprime, esvazia, emudece.
A utopia está no virar da esquina. No sorriso no rosto, no nascer do sol, nas sombras da arvore, na alegria momentânea de fazer parte de algo maior e ter consciência disso.





quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988
TÍTULO VIIDa Ordem Econômica e Financeira
CAPÍTULO IIDA POLÍTICA URBANAArt. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem- estar de seus habitantes.
§ 1º - O plano diretor, aprovado pela Câmara Municipal, obrigatório para cidades com mais de vinte mil habitantes, é o instrumento básico da política de desenvolvimento e de expansão urbana.
§ 2º - A propriedade urbana cumpre sua função social quando atende às exigências fundamentais de ordenação da cidade expressas no plano diretor.
§ 3º - As desapropriações de imóveis urbanos serão feitas com prévia e justa indenização em dinheiro.
§ 4º - É facultado ao Poder Público municipal, mediante lei específica para área incluída no plano diretor, exigir, nos termos da lei federal, do proprietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena, sucessivamente, de:
I - parcelamento ou edificação compulsórios;
II - imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana progressivo no tempo;
III - desapropriação com pagamento mediante títulos da dívida pública de emissão previamente aprovada pelo Senado Federal, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os juros legais.

Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1º - O título de domínio e a concessão de uso serão conferidos ao homem ou à mulher, ou a ambos, independentemente do estado civil.
§ 2º - Esse direito não será reconhecido ao mesmo possuidor mais de uma vez.
§ 3º - Os imóveis públicos não serão adquiridos por usucapião.
tem quase vinte anos essa lei...e grande parte do Brasil "não sabe"

domingo, 19 de fevereiro de 2006

Zonning ou layering?1

Atualmente os planejadores do solo urbano e urbano-rural se utilizam de um instrumental criado no idos do século XX, Tratado como paradigma da ordenação espacial: o zoneamento prev^: o uso otimizado do solo urbano: suas características funcionais, infraestrutura, adensamento, distribuição de vias, e está presente na cabeça dos advogados, engenheiros, geógrafos, sociologos e arquitetos planejadores
sobre as nossas cidades
entender a cidade numa visão bidimensional em camadas seria a função do zoneamento num crescimento linear(tem instrumentos de controle, teóricamente), equilibrado(SIC) e que promova a manutenção dos recursos urbanos e naturais.
a cidade é um aglomerado humanopolimorfico, aleatório, n-dimensional, pulsante, descontrolada(pensando na poluição dos rios, terras, ar e mar, ela não se controla), constituida de módulos mínimos (casas, barracos, palafitas, e similares), que culturalmente ou geograficamente se organizam em módulos maiores(quarteirão, favela, paróquia,vila), que agrupados produzem unidades dinstintas no território(bairros, distritos,arraial) com todas as peculariedades essas unidades estão num todo maior a cidade, ora na sede do município, ora espalhado em seu território.
segue..

Plano de Desenvolvimento Local

Plano de Desenvolvimento Local.

Nos últimos quinze dias, Juiz de Fora passou pelas assembléias do PDL (Plano de Desenvolvimento Local), um instrumento de planejamento que consiste em consulta e análise de políticas urbanísticas e que teoricamente seria a instancia mais democrática de gestão pública, mas que se revelou na verdade como uma consulta muito acanhada e que não teve seu papel representativo.
A Constituição Federal de 1988, no capítulo de Política urbana criou regras sobre o direito à Cidade, regula o direito da propriedade, que deve cumprir uma função social (art.182). Estatuto da Cidade (Lei 10257/01) é uma conquista das lutas populares pela reforma urbana, e obriga o município a ter uma legislação que regulamente a Função Social da Propriedade, significando que o direito à propriedade não pode estar acima do direito Coletivo, de toda a cidade. Cabendo ao PDDU (Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano) definir: objetivos, diretrizes e ações estratégicas para as principais políticas públicas.
PDL é previsto no PDDU, e este, deixa bem claro o papel que todos nós cidadãos temos em relação à Cidade; na sua Organização e Gestão, que devemos ser agentes diretos na construção e crítica das políticas urbanas para a promoção de uma cidade mais igualitária e justa em seus serviços e que busque qualidade de vida.
Ao contrario de outros municípios brasileiros, que promovem uma ampla divulgação para buscar a sensibilização da população, indo às comunidades e aos locais que o Poder Público normalmente não vai, as equipes técnicas ficaram longe das realidades locais produzindo assim uma análise parcial com grupos que não representavam (qualitativamente) a grande parcela da coletividade. Produzido longe das comunidades, centrado em locais que necessitam da circulação de ônibus (onerando os menos favorecidos e desestimulando parcelas da população carente e que deveria estar representada).
O resultado do PDL, que é a revisão das Leis de Uso, Ocupação e Parcelamento do Solo, só terá sentido quando realmente buscar diminuir o abismo social que uma considerável parcela de juizforanos está sujeita. Um contingente que cada dia aumenta e que continua em silêncio, ignorante das operações de Cima para Baixo, mas que votam. E que apenas votam sem saber do poder que tem em mãos.

Anderson Agostinho
Arquiteto Urbanista
Diretor de Habitação IAB/JF

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Área possivel de intervenção Granjas Bethania
visão da entrada do Vale Guedes ou Serra Pelada
conjunto sobre o relovo sinuoso e acidentado

nada com nada,
como podemos existir negando
aos que estão ao nosso lado,
usurpando suas vidas,
seus desejos,
seus sonhos?

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

AS LEIS QUE REGEM A NOSSA PROFISSÃO...

LEI DO LOTE ESTREITO: Em todos os lotes falta um metro de largura.
LEI DO TOPÓGRAFO: Dois levantamentos topográficos de um lote nunca são iguais. Se forem iguais, um topógrafo colou do outro e ambos estão errados. Corolário: Se existe um só levantamento este é confiável. Se existem dois...Nenhum é confiável.
LEI DO BI-PROJETO: O cliente que necessita ampliar a garagem e construir um grande edifício, somente construirá a garagem. Hoje em dia, se o cliente quiser fazer uma edícula com churrasqueira para depois construir uma piscina com uma casa na frente, mal conseguirá terminar a churrasqueira.
LEI DO CARTOON: Se um cliente chama seu anteprojeto de "desenhinho", ele não vai querer pagá-lo.
LEI DO GÊNIO IDIOTA: O cliente contrata você dizendo que acha você um gênio, na hora de pagar vai dizer que até o filho dele de 8, 9 anos faz desenhos melhores que os seus.
LEI DA CERÂMICA: Nenhuma cerâmica de 20 x 20 mede 20 x 20.
LEI DO CAMINHÃO: Sempre que se vai verificar uma entrega de materiais, dirão que "o caminhão já saiu para entregar"
LEI DO "NIGUÉM SABE": O cliente nunca sabe o que quer. Quando pensa que sabe o quer, certamente não sabe o que pode ter. O arquiteto tampouco sabe o que quer o cliente. O cliente nunca entende o que quer o arquiteto. Corolário: O projeto nunca reflete o que quer o arquiteto, nem o que quer o cliente.
LEI DA BUSCA: Não importa que seu projeto fique em um local escondido; se for ruim, todos irão encontrá-lo
LEI DO VIZINHO: Se no lote vizinho existe um edifício de "N" pavimentos, no seu terreno será permitido "N - 2". Se seu edifício tem "N" pavimentos, seu vizinho poderá construir "N + 2"
LEI DO PRONTO: Se um cliente solicita uma modificação de projeto, diga que é impossível de ser realizada: depois estude o caso.
LEI DO TEMPO A FAVOR: Demore a realizar o detalhamento e não será preciso faze-lo.
LEI DO EGOS: Se quer um bom projeto, utilize o material adequado.Se quiser que seja publicado, use tijolos de vidro.
LEI DO ELETRODOMÉSTICO: Todas as máquinas de lavar pratos são 5 cm maiores.
LEI DO TEMPO: A temporada de chuvas começa no dia em que se iniciam as escavações.
LEI DA CULPA: Não importa a causa: se algo dá errado no projeto o responsável é o arquiteto.
LEI DO AQUECEDOR: Para acomodar um simples aquecedor um closet deverá ser sacrificado.
LEI DA SATISFAÇÃO APARENTES: Se um cliente fica satisfeito:a) Não entendeu o projeto.b) Não pagou o projeto.c) O arquiteto se enganou.
LEI DA TOLERÂNCIA: "Modulação" é um sistema milimétrico para que os elementos fiquem mais ou menos parecidos.
LEI DA EMPREGADA DOMÉSTICA: Se o quarto de empregada está projetado para que caiba uma empregada, o apartamento é velho. Se a empregada não cabe no quarto, o apartamento é novo.
LEI DO CLIENTE-ARQUITETO: O cliente é um arquiteto que não sabe desenhar. Quanto mais caro o projeo, mais arquiteto é o cliente e mais desenhista é o arquiteto.
LEI DO MESTRE DE OBRAS: Os ângulos retos não existem.
LEI DO MESTRE DE OBRAS2: Curvas de alvenaria não têm raios.
LEI DO OLHÔMETRO: Um orçamento nunca é cumprido. Corolário: se um orçamento é cumprido, alguém cometeu um erro.
LEI DA MEMBRANA ASFÁLTICA: Se uma cobertura não tem goteiras, ...tenha paciência.
LEI DA FALSA ENTREGA: Se o carpinteiro chegou a tempo com os móveis, ele se enganou de obra.
LEI DA OFERTA: Se um tapete está em oferta:a) É rosa com verde e lilásb) Tem 2m2 a menos de que é necessário.c) Já foi vendido.
LEI DO "FICOU": Nas obras, as coisas não são feitas: elas ficam. Exemplo: "Ficou torcido", "Ficou curto", "Ficou torto"...
LEI DO CLIENTE FIXO: Se um apartamento foi construído em um local adequado, de tamanho adequado e a um preço adequado: a) O comprador que gosta do local e do tamanho, não tem dinheiro.b) O comprador que gosta do local e do preço, acha tudo pequeno.c) O comprador que gosta do tamanho e do preço, não gosta do local.d) O comprador que gosta do tamanho, do preço e do local... é você
LEI DO ÚLTIMO ESTRAGA: O último a executar qualquer serviço em uma obra estraga o serviço do anterior: o marceneiro estraga a pintura, o pintor estraga o piso, o piso estraga o reboco, e assim por diante.
LEI DO INEVITÁVEL: Sempre o último parafuso a ser colocado arrebentará um cano de água.
LEI DA INÉRCIA POR DETALHAMENTO: Quanto mais minuciosamente detalhado for um projeto menos os pedreiros vão entender e trabalhar.
LEI DO BEM QUE EU AVISEI: Não adianta o arquiteto que visita as obras para verificar a execução de seus projetos avisar que algo está sendo construído errado, ao contrário do que foi projetado, porque quando der errado, vão chamar o arquiteto, colocar toda a culpa nele, e perguntar por que ele não avisou nada antes.

sábado, 5 de novembro de 2005

SONHOS


NESSE TRECHO DE MAPA QUANTOS SONHOS E TROCARÃO EM PESADELOS?
QUANTOS NATAIS SE PASSARÃO SEM FESTA...
QUANTOS PALHAÇOS TRISTES..
QUANTA SOLIDÃO SEM FIM..
NESSE TRECHO DE MAPA QUANTAS ALEGRIAS
AMORES E HORRORES
NESSE TRECHO DE MAPA
AMO
VIVO
EXISTO
É POR AÍ...

Urbarquitetura

  • termo que se refere ao pensamento da coisa urbana, da distribuição racional, intencional, com tecnica sobre o território.